segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Angústia - Graciliano Ramos(2ª geração modernista)

Minha última leitura. Livro interessante, surpreendente. Um pouco cansativo no início, mas logo ganha fôlego e consegue envolver. Com narrativa espetacular, o autor consegue mergulhar na psiqué do personagem. Ele mostra de forma incrível as flexões que uma mente perturbada e obsecada é capaz de realizar. Em meio a distorções de ideias, o personagem principal que possui personalidade fraca e submissa ganha força pela completude e manutenção da fidelidade em relação a seu perfil mental. Ele odeia tudo o que é mais forte que ele e ele não possui. Tenta amar o que não lhe é permitido, tanto por limitações psicológicas quanto por limitações materais. E retorna ao ódio. Só não odeia a sí próprio e sua condição patética. Suas justificativas ganham suporte na sua condição limitada. E a partir disso, tece críticas ao que está a seu alcance. Ele mostra intenso apego ao passado, sendo seu passado a base de tudo o que conhece, servindo constantemente de comparativo para compreender o que se passa. Esse é outro exercício que o autor pratica com muita frequência: a alternância da linha do tempo através de retomada de ideias e fatos passados. Esse tipo de colocação é muito interessante , pois nos leva a manter firme a atenção no texto e exercitar a memória. Memória que é testada de forma sutil, porque a própria narrativa retoma personagens e momentos de forma muito hábil, tornando natural a recordação dos fatos. É um livro muito bom, considerado um dos melhores livros do autor. Esse ano recebeu uma edição especial em comemoração aos 75 anos de publicação. Altamente recomendável.

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